Aos seguidores deste espaço, tenho a grata satisfação em agradecer suas participações em todo o primeiro mês da construção do blog. Pretendi, ao criá-lo, desenvolver uma dinâmica de expressão, comunicação e debates, expondo minha percepção dos fatos que ocorrem em nosso meio profissional e acadêmico. Obviamente que nem sempre as opiniões convergem, o que é muito bom, afinal, da construção e desconstrução do pensamento é que o ser humano evolui ao longo da história com seus conceitos.
O texto a respeito da desregulamentação das profissões foi uma boa opção para acender o espírito de participação dos bibliotecários, porém, nem tanto como se poderia acreditar. Por isso fica a pergunta? Por que não há a participação efetiva, constante e em grande escala dos profissionais da informação de Mato Grosso do Sul?
Uma felicidade que tive e que corrobora com o que estou discorrendo é a participação de profissionais de outros Estados, seja em comentários, tornando-se membros, ou disseminando este espaço através de links nos seus blogs.
O fato é que sinto falta da participação, ainda mais, daqueles que foram meus professores ao longo do curso, e que sempre incentivaram o debate, o dinamismo e a escrita. Salvo exceções como Rodrigo e Eunice, incentivadores deste blog, que já deixaram valiosas contribuições em minhas postagens.
Mas, pergunto a você, caro leitor: o que não está funcionando? Por que não encanta? Os temas abordados são irrelevantes, fora de contexto? O que você gostaria de abordar?
Esta primeira análise traz questões como as explicitadas acima, de modo que possamos direcionar os textos à medida dos interesses coletivos da classe bibliotecária.
Fica então aberto a colocações, e espero que possamos ter mais participações, de modo que haja a inédita e tão sonhada união e interação dos bibliotecários do Mato Grosso do Sul, e claro, dialogando com os bibliotecários do nosso querido Brasil, sempre bem-vindos.
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sábado, 15 de agosto de 2009
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Desregulamentação das profissões: e a Biblioteconomia?
Quando dei nova dinâmica a este blog, prometi a mim mesmo que iria estipular uma periodicidade em minhas postagens, determinada por, pelo menos, uma semana para atualizações. Determinei também que iria postar atualizações aos sábados, para facilitar a leitura daqueles que acessam este espaço.
Entretanto, vendo que a discussão sobre um novo tema se desenrola na postagem anterior, sobre o CBBD, me senti motivado a escrever e publicar antecipadamente um texto pertinente ao assunto. Coincidentemente, a própria discussão sobre o tema a ser abordado também se desenrolou no Congresso, em reunião com a ABECIN. Enfim, aqui se fará o espaço de discussão e debates “apimentados”, e assim espero que seja.
A discussão em questão se refere à “desregulamentação das profissões”, debate que envolve uma imensa quantidade de profissionais, inclusive bibliotecários, e que dará uma reviravolta no mercado de trabalho, caso se concretize. O fato é que o “agito” já começou, só quem está dormindo pesado é que não ouviu o barulho.
Sua evolução pode até assustar, devido à aparente formulação in continenti de seus pressupostos ideológicos e legais, mas não é bem assim. O debate não é novo e provavelmente não terá fim tão logo, embora decisões isoladas possam aquecer ainda mais a construção efetiva da idéia. Decisões como o parecer do ministro Gilmar Mendes, presidente do Superior Tribunal Federal, e sua declaração sobre o futuro das profissões, em especial, naquela ocasião, da profissão de jornalista. Tudo isso pareceu abalar o pensamento dos “inexoráveis” conselhos de classe, sindicatos, federações e afins, que já se reúnem para medidas de proteção.
Muitos defendem a extinção da exigência de curso superior para atuação em determinadas profissões, e que o diploma não representa, e eu concordo, o conhecimento que o indivíduo possui sobre alguma área. Sabe-se que o diploma não é a garantia de empregabilidade, e sim o conhecimento adquirido pelo profissional ao longo de sua formação, que não cessa na graduação.
No entanto, abrir mão de uma seleção prévia de profissionais é transformar o mercado em um caos profissional, analogia ao nosso “caos informacional”, indubitável em sua existência. Acaba por permitir que pessoas envoltas em silogismos erísticos sobre suas competências e habilidades assumam o lugar dos profissionais realmente capacitados para a função.
Não é uma questão de atender somente às demandas empresariais, mas de dar à sociedade um profissional qualificado em suas atividades técnicas, científicas e, sem dúvida alguma, sociais.
O “autoritarismo brasileiro” citado por alguns defensores da desregulamentação das profissões, ao mencionarem a inexistência de regulamentação em países do continente americano e europeu, “evoluídos” em seus pensamentos, fixa um descrédito nesse que é o modelo viável à garantia de trabalho aos profissionais em seus vários filões do mercado, que é o modelo brasileiro.
As bandeiras da liberdade e da democracia não podem ser o arrimo para permitir que qualquer pessoa se dirija como o profissional almejado, desde um rábula no lugar de advogados, ou uma “tiazinha” no lugar de bibliotecários. Claro que excessos devem ser verificados e combatidos como, em minha opinião, o exame da Ordem dos Advogados do Brasil, que se coloca totalmente contrário a liberdade do exercício da profissão em um Estado democrático de direito; e o oportunismo de uma elite escondida atrás do sindicalismo altamente corporativista.
Nesse contexto todo, a Biblioteconomia também precisa se posicionar, e seus profissionais devem dialogar sobre a situação, se colocar, seja a favor ou contra a desregulamentação profissional, para que não sejam pegos de surpresa quando o estopim vier, se é que ainda não veio. Quem acha que está seguro em suas bibliotecas, arquivos ou outros locais deve repensar sua posição.
Para finalizar e abrir a contribuições dos pares, expresso uma colocação que pode parecer que vem de encontro a muito do que eu disse, mas destaco que nós, bibliotecários, devemos em primeiro lugar, buscar a verdadeira auto-regulamentação, que é traduzida pelo conhecimento e reconhecimento da sociedade, ao ver nossa profissão como imprescindível meio de mudança e desenvolvimento, o que não ocorre nos dias atuais. Mas enquanto isso, mantenha-se a regulamentação.
Aberto a considerações.
Clique aqui para fazer um comentário.
Entretanto, vendo que a discussão sobre um novo tema se desenrola na postagem anterior, sobre o CBBD, me senti motivado a escrever e publicar antecipadamente um texto pertinente ao assunto. Coincidentemente, a própria discussão sobre o tema a ser abordado também se desenrolou no Congresso, em reunião com a ABECIN. Enfim, aqui se fará o espaço de discussão e debates “apimentados”, e assim espero que seja.
A discussão em questão se refere à “desregulamentação das profissões”, debate que envolve uma imensa quantidade de profissionais, inclusive bibliotecários, e que dará uma reviravolta no mercado de trabalho, caso se concretize. O fato é que o “agito” já começou, só quem está dormindo pesado é que não ouviu o barulho.
Sua evolução pode até assustar, devido à aparente formulação in continenti de seus pressupostos ideológicos e legais, mas não é bem assim. O debate não é novo e provavelmente não terá fim tão logo, embora decisões isoladas possam aquecer ainda mais a construção efetiva da idéia. Decisões como o parecer do ministro Gilmar Mendes, presidente do Superior Tribunal Federal, e sua declaração sobre o futuro das profissões, em especial, naquela ocasião, da profissão de jornalista. Tudo isso pareceu abalar o pensamento dos “inexoráveis” conselhos de classe, sindicatos, federações e afins, que já se reúnem para medidas de proteção.
Muitos defendem a extinção da exigência de curso superior para atuação em determinadas profissões, e que o diploma não representa, e eu concordo, o conhecimento que o indivíduo possui sobre alguma área. Sabe-se que o diploma não é a garantia de empregabilidade, e sim o conhecimento adquirido pelo profissional ao longo de sua formação, que não cessa na graduação.
No entanto, abrir mão de uma seleção prévia de profissionais é transformar o mercado em um caos profissional, analogia ao nosso “caos informacional”, indubitável em sua existência. Acaba por permitir que pessoas envoltas em silogismos erísticos sobre suas competências e habilidades assumam o lugar dos profissionais realmente capacitados para a função.
Não é uma questão de atender somente às demandas empresariais, mas de dar à sociedade um profissional qualificado em suas atividades técnicas, científicas e, sem dúvida alguma, sociais.
O “autoritarismo brasileiro” citado por alguns defensores da desregulamentação das profissões, ao mencionarem a inexistência de regulamentação em países do continente americano e europeu, “evoluídos” em seus pensamentos, fixa um descrédito nesse que é o modelo viável à garantia de trabalho aos profissionais em seus vários filões do mercado, que é o modelo brasileiro.
As bandeiras da liberdade e da democracia não podem ser o arrimo para permitir que qualquer pessoa se dirija como o profissional almejado, desde um rábula no lugar de advogados, ou uma “tiazinha” no lugar de bibliotecários. Claro que excessos devem ser verificados e combatidos como, em minha opinião, o exame da Ordem dos Advogados do Brasil, que se coloca totalmente contrário a liberdade do exercício da profissão em um Estado democrático de direito; e o oportunismo de uma elite escondida atrás do sindicalismo altamente corporativista.
Nesse contexto todo, a Biblioteconomia também precisa se posicionar, e seus profissionais devem dialogar sobre a situação, se colocar, seja a favor ou contra a desregulamentação profissional, para que não sejam pegos de surpresa quando o estopim vier, se é que ainda não veio. Quem acha que está seguro em suas bibliotecas, arquivos ou outros locais deve repensar sua posição.
Para finalizar e abrir a contribuições dos pares, expresso uma colocação que pode parecer que vem de encontro a muito do que eu disse, mas destaco que nós, bibliotecários, devemos em primeiro lugar, buscar a verdadeira auto-regulamentação, que é traduzida pelo conhecimento e reconhecimento da sociedade, ao ver nossa profissão como imprescindível meio de mudança e desenvolvimento, o que não ocorre nos dias atuais. Mas enquanto isso, mantenha-se a regulamentação.
Aberto a considerações.
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sábado, 1 de agosto de 2009
CBBD 2009: 3º diálogo (final): Apresentações e stands
Mesmo diante de tamanha importância que é a contribuição do Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação (CBBD), tanto para as pesquisas quanto para as práticas dos profissionais da informação, encerrarei os relatos sobre os acontecimentos, tendo em vista que, em mundo cada vez mais dinâmico do ponto de vista da informação, como o que vivenciamos na atualidade, outros fatos e discussões carecem de uma intervenção para o desenvolvimento do pensamento humano, e consequentemente, a saída do status “quo” que, porventura, possa existir a respeito do assunto e que não deve prevalecer. E acontecimento na área é o que não falta!
Por esse entendimento, neste último diálogo a respeito do CBBD, faço um breve relato sobre as apresentações vistas por mim, bem como uma observação geral dos stands e suas respectivas instituições participantes, de modo a dar a quem não pode participar, a noção, mesmo que superficial, do que lá se presenciou. Peço que, caso eu esqueça algo, vocês postem comentários me lembrando.
As apresentações que pude participar, em geral, contribuíram de maneira significativa para enriquecer meu entendimento sobre o motivo principal de meu trabalho com a informação, ou melhor, a quem se destina tudo o que faço, o usuário, seja inserindo-o numa análise sobre a cultura informacional, seja em um debate sobre como dar a ele competências para buscar e utilizar a informação para produzir conhecimento, tornando-o mais autônomo em sua busca pelo saber, ou mesmo pensando em maneiras de priorizar e proporcionar o acesso à informação e aos ambientes informacionais.
Nessas apresentações ficou evidente que se deve cada vez mais focar no ambiente externo da organização, e não ficar com o trabalho interno esperando alguém para atender suas demandas. Com essa realidade, vem contribuir outras apresentações, como o trabalho com portais coorporativos, serviços de referência virtual, publicações institucionais, utilização das TICs, seja com ferramentas simples e gratuitas, seja com softwares de código aberto, ou mesmo grandes plataformas de desenvolvimento.
Faço aqui um destaque especial para as apresentações dos bibliotecários do Estado de Mato Grosso do Sul, que se fizeram presentes no Congresso expondo seus trabalhos, dentre eles o autor desta postagem. Satisfeito também ficamos em saber que os profissionais bibliotecários de Mato Grosso do Sul estão fomentando debates dentro dos grandes eixos de discussão da biblioteconomia e ciência da informação a nível nacional, como visto nos trabalhos sobre competência em informação, inteligência competitiva, mercado de trabalho, dentre outros.
Passando para a análise dos stands, bem como seus expositores, a presença de empresas estrangeiras foi dominante. Isso pode ser reflexo tanto do preço cobrado pelos organizadores, quanto da estrutura de empresas brasileiras atuantes no setor, e a falta de comunicação entre elas. O fato é que as empresas que lá estavam transformaram as exposições de seus produtos em “coisa de outro mundo”. O ápice de tanta ostentação, a meu ver, foi uma máquina para digitalização de documentos, de marca Zeutschel, cujo valor equivale a um apartamento em frente ao Shopping Campo Grande, na capital daqui de Mato Grosso do Sul, ou mesmo o valor de um carro esportivo e importado. Comento isso sem conotações de reprovação, pelo contrário, como forma de mostrar o nível que a área se encontra, e como é reconhecida, ao menos, no exterior.
Outro ponto forte nos stands, e isso não é novidade, foi a presença das representantes das bases de dados, e-books e afins, mostrando o mundo da informação on-line, mundo esse restrito aos usuários assinantes. Empresas como Proquest, Dot. Lib, Gale, dentre outras, propiciaram momentos cheios de opções no mundo do conhecimento digital e virtual.
As empresas de tecnologias também se fizeram presentes com seus softwares de automação de bibliotecas, ou gerenciadores de unidades de informação. Nesse ramo houve variedades de empresas, nacionais e estrangeiras, cada uma com suas soluções inteligentes. Um fato visto nessas empresas e que é digno de se comemorar é a participação efetiva de bibliotecários, contratados ou associados desses negócios. Além disso, as conversas com tais profissionais se fizeram profícuas fontes de informação.
Houve também a participação de empresas com mobiliários para arquivos, equipamentos de segurança para bibliotecas, instituições como o IBICT, CAPES, CFB, FEBAB, APB/MS (Associação dos Profissionais Bibliotecários de Mato Grosso do Sul), Editoras e outras que não me recordo no momento.
Todo esse conjunto movimentou o CBBD 2009, aliado aos eventos simultâneos e reuniões de entidades ocorridas no período da manhã, que não foram descritas, mas que estão sendo citadas; festas na noite de Bonito, seja nos bares e restaurantes, seja no “Information Fest”, organizada pelo 5º semestre de Biblioteconomia do IESF, de Campo Grande-MS; e tudo isso no paraíso das águas da cidade que acolheu o Congresso e seus participantes.
O que fica, além das amizades feitas, das novidades vistas, é o conhecimento internalizado, que certamente não vai parar. Irá se transformar, se desenvolver, e produzirá novos outros conhecimentos, continuando o ciclo que, espero, eu veja no próximo CBBD.
Até a próxima...
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Por esse entendimento, neste último diálogo a respeito do CBBD, faço um breve relato sobre as apresentações vistas por mim, bem como uma observação geral dos stands e suas respectivas instituições participantes, de modo a dar a quem não pode participar, a noção, mesmo que superficial, do que lá se presenciou. Peço que, caso eu esqueça algo, vocês postem comentários me lembrando.
As apresentações que pude participar, em geral, contribuíram de maneira significativa para enriquecer meu entendimento sobre o motivo principal de meu trabalho com a informação, ou melhor, a quem se destina tudo o que faço, o usuário, seja inserindo-o numa análise sobre a cultura informacional, seja em um debate sobre como dar a ele competências para buscar e utilizar a informação para produzir conhecimento, tornando-o mais autônomo em sua busca pelo saber, ou mesmo pensando em maneiras de priorizar e proporcionar o acesso à informação e aos ambientes informacionais.
Nessas apresentações ficou evidente que se deve cada vez mais focar no ambiente externo da organização, e não ficar com o trabalho interno esperando alguém para atender suas demandas. Com essa realidade, vem contribuir outras apresentações, como o trabalho com portais coorporativos, serviços de referência virtual, publicações institucionais, utilização das TICs, seja com ferramentas simples e gratuitas, seja com softwares de código aberto, ou mesmo grandes plataformas de desenvolvimento.
Faço aqui um destaque especial para as apresentações dos bibliotecários do Estado de Mato Grosso do Sul, que se fizeram presentes no Congresso expondo seus trabalhos, dentre eles o autor desta postagem. Satisfeito também ficamos em saber que os profissionais bibliotecários de Mato Grosso do Sul estão fomentando debates dentro dos grandes eixos de discussão da biblioteconomia e ciência da informação a nível nacional, como visto nos trabalhos sobre competência em informação, inteligência competitiva, mercado de trabalho, dentre outros.
Passando para a análise dos stands, bem como seus expositores, a presença de empresas estrangeiras foi dominante. Isso pode ser reflexo tanto do preço cobrado pelos organizadores, quanto da estrutura de empresas brasileiras atuantes no setor, e a falta de comunicação entre elas. O fato é que as empresas que lá estavam transformaram as exposições de seus produtos em “coisa de outro mundo”. O ápice de tanta ostentação, a meu ver, foi uma máquina para digitalização de documentos, de marca Zeutschel, cujo valor equivale a um apartamento em frente ao Shopping Campo Grande, na capital daqui de Mato Grosso do Sul, ou mesmo o valor de um carro esportivo e importado. Comento isso sem conotações de reprovação, pelo contrário, como forma de mostrar o nível que a área se encontra, e como é reconhecida, ao menos, no exterior.
Outro ponto forte nos stands, e isso não é novidade, foi a presença das representantes das bases de dados, e-books e afins, mostrando o mundo da informação on-line, mundo esse restrito aos usuários assinantes. Empresas como Proquest, Dot. Lib, Gale, dentre outras, propiciaram momentos cheios de opções no mundo do conhecimento digital e virtual.
As empresas de tecnologias também se fizeram presentes com seus softwares de automação de bibliotecas, ou gerenciadores de unidades de informação. Nesse ramo houve variedades de empresas, nacionais e estrangeiras, cada uma com suas soluções inteligentes. Um fato visto nessas empresas e que é digno de se comemorar é a participação efetiva de bibliotecários, contratados ou associados desses negócios. Além disso, as conversas com tais profissionais se fizeram profícuas fontes de informação.
Houve também a participação de empresas com mobiliários para arquivos, equipamentos de segurança para bibliotecas, instituições como o IBICT, CAPES, CFB, FEBAB, APB/MS (Associação dos Profissionais Bibliotecários de Mato Grosso do Sul), Editoras e outras que não me recordo no momento.
Todo esse conjunto movimentou o CBBD 2009, aliado aos eventos simultâneos e reuniões de entidades ocorridas no período da manhã, que não foram descritas, mas que estão sendo citadas; festas na noite de Bonito, seja nos bares e restaurantes, seja no “Information Fest”, organizada pelo 5º semestre de Biblioteconomia do IESF, de Campo Grande-MS; e tudo isso no paraíso das águas da cidade que acolheu o Congresso e seus participantes.
O que fica, além das amizades feitas, das novidades vistas, é o conhecimento internalizado, que certamente não vai parar. Irá se transformar, se desenvolver, e produzirá novos outros conhecimentos, continuando o ciclo que, espero, eu veja no próximo CBBD.
Até a próxima...
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sábado, 25 de julho de 2009
CBBD 2009: 2º diálogo (ou monólogo): Conferência Magna
Ao trazer as apresentações, nada mais natural que começar esse novo diálogo (até agora monólogo) resgatando a conferência magna do professor doutor Emir Suaiden, diretor do IBICT, ocasião em que trouxe a explanação intitulada “Bibliotecas na sociedade em rede, sustentabilidade e políticas públicas”, como momento de abertura dos trabalhos no CBBD. Ao hierarquizar os tópicos de abordagem, tendo como base o título, começou-se do fim para o começo, e assim será feito também aqui.
Inicialmente, houve um resgate histórico para lembrar a dimensão da cultura de informação, claramente sabida como consequência do marco denominado “imprensa”, com a qual resultou na disseminação das informações ao longo da história.
No contexto brasileiro, Emir traz citações de Matthew Battles e Felipe Lindoso para reforçar a idéia de uma realidade que exclui e do (des)interesse das esferas governamentais para as políticas públicas de informação. Nesse aspecto, é pertinente resgatar nas palavras de Lindoso a odiosa ironia de que os políticos estão entre os leitores mais assíduos, inclusive expressados por suas bibliotecas particulares e menções corriqueiras de célebres escritores em seus discursos. Esse fato paradoxal se dá pela falta de investimento justamente naquelas que são as fontes de informação de acesso à população, as bibliotecas, sendo marginalizadas no contexto global de investimentos e projetos.
Partindo daí, debater a questão da “sociedade do conhecimento” passa a ser um tanto revoltante e desanimador, sabendo que a marginalização se dá no próprio acesso à informação, mesmo com a contribuição das redes e da internet. Os excluídos digitais, que nem são analfabetos funcionais na realidade, tem em sua realidade analfabetos de verdade, que, quiçá, apenas assinam seus nomes.
Acreditar em uma “sociedade do conhecimento” se torna mais um combustível para se crer em um futuro melhor, e não um presente que possa deleitar-se. O indivíduo autônomo em seu aprendizado, contribuindo para o desenvolvimento de sua comunidade, tornando-a sustentável, pautado na ética que acompanha a construção do saber, tudo isso se mostra como a esperança de algo que precisa vir, e não como algo que chegou.
Prosseguindo com a apresentação do Emir, agora com a questão do “novo usuário”, suas exigências e necessidades. Com a questão do “tempo / espaço”, onde tudo acontece simultaneamente, a importância das bibliotecas acompanharem esse cenário se faz requisito primordial no atendimento às indagações dos indivíduos com sede de conhecimento. As bibliotecas híbridas passam a ser propósitos, mesmo com algumas discussões sobre sua nomenclatura e características, e começam a ser debatidas e implementadas como alternativas para a prestação de serviços informacionais, apresentando sua estrutura física, antes lauta em relação às pessoas, agora pequena diante do mundo virtual.
Nessa concepção, a “nova” biblioteca tem a sua frente o desafio de atender os nativos digitais, nascidos sobre uma tela de computador e nos cliques do mouse, e os analfabetos digitais, pessoas que se perderam no tempo com as revoluções tecnológicas. Como atender em uma mesma estrutura, usuários na velocidade de um processador ao mesmo tempo em que se atendem usuários na velocidade de um trem a vapor, satisfazendo ambos? Isso é claro,pensado em uma realidade desejável, onde todos sabem de suas inquietações e desejos de informação.
Continuando, Emir reforça mais uma vez a exclusão no mundo digital mencionando que “o fosso digital [é] definido, de forma simplificada, pela diferença entre os que têm acesso às informações pela internet e aqueles que não têm”, que se relaciona com a situação de desenvolvimento em cada região do nosso país. Este é, nas palavras dele, um desafio para as políticas públicas do Brasil. Traz, logo em seguida, a discussão das redes sociais, canais de comunicação com crescimento espantoso ao longo dos anos, e com participação efetiva da população brasileira. A título de exemplificação, os brasileiros são líderes no ranking de páginas do Orkut.
As redes sociais vêm acompanhadas da possibilidade de participação, fruto da sua estrutura horizontal e flexível que garante o fácil acesso e a garantia da democracia, bem como a liberdade para cada um ser o protagonista de seu ambiente. Obviamente que, nem mesmo em uma estrutura como essa, o acesso é possível a todos. Como menciona Castells (2003), acarreta “inclusive, formas de segregações”.
Da dimensão das redes sociais para a sustentabilidade, parte-se através de uma ponte construída com elementos como a ética, transparência, liderança, competência, criatividade e empreendedorismo, procurando de forma harmoniosa integrar o desenvolvimento hodierno com o cuidado para o futuro, seja com o meio ambiente, seja com as pessoas.
No que concerne à política de informação, é lembrada pelo professor como “o conjunto de princípios e escolhas que definem o que seria desejável e realizável para um país como orientação de seus modos de geração, uso e absorção da informação [...]”, em consonância com as outras políticas, através dos vários procedimentos possíveis para a realização da mesma.
Para encerrar sua exposição, o professor Emir traz uma mensagem que diz: “toda grande inovação, toda grande revolução, traz no seu bojo a questão da exclusão [...]”. De fato, a revolução tecnológica se insere em tal afirmativa.
O que é possível inferir, e ao mesmo tempo sugerir é que, diante de grandes diferenças de acesso, seja no mundo virtual, seja no dia-a-dia das comunidades, os bibliotecários tem a difícil, porém grata, missão de garantir que cada indivíduo se coloque como participante das transformações da sociedade, diminuindo os marginalizados. Isso pode ser tanto no mundo real quanto no mundo virtual. Dois mundos para um mesmo profissional tornar as pessoas competentes.
Vou parando por aqui, pois “competência” será abordada em breve, sobretudo, no que tange à “competência em informação”, amplamente discutida e importante para papel do bibliotecário.
Até a próxima.
Inicialmente, houve um resgate histórico para lembrar a dimensão da cultura de informação, claramente sabida como consequência do marco denominado “imprensa”, com a qual resultou na disseminação das informações ao longo da história.
No contexto brasileiro, Emir traz citações de Matthew Battles e Felipe Lindoso para reforçar a idéia de uma realidade que exclui e do (des)interesse das esferas governamentais para as políticas públicas de informação. Nesse aspecto, é pertinente resgatar nas palavras de Lindoso a odiosa ironia de que os políticos estão entre os leitores mais assíduos, inclusive expressados por suas bibliotecas particulares e menções corriqueiras de célebres escritores em seus discursos. Esse fato paradoxal se dá pela falta de investimento justamente naquelas que são as fontes de informação de acesso à população, as bibliotecas, sendo marginalizadas no contexto global de investimentos e projetos.
Partindo daí, debater a questão da “sociedade do conhecimento” passa a ser um tanto revoltante e desanimador, sabendo que a marginalização se dá no próprio acesso à informação, mesmo com a contribuição das redes e da internet. Os excluídos digitais, que nem são analfabetos funcionais na realidade, tem em sua realidade analfabetos de verdade, que, quiçá, apenas assinam seus nomes.
Acreditar em uma “sociedade do conhecimento” se torna mais um combustível para se crer em um futuro melhor, e não um presente que possa deleitar-se. O indivíduo autônomo em seu aprendizado, contribuindo para o desenvolvimento de sua comunidade, tornando-a sustentável, pautado na ética que acompanha a construção do saber, tudo isso se mostra como a esperança de algo que precisa vir, e não como algo que chegou.
Prosseguindo com a apresentação do Emir, agora com a questão do “novo usuário”, suas exigências e necessidades. Com a questão do “tempo / espaço”, onde tudo acontece simultaneamente, a importância das bibliotecas acompanharem esse cenário se faz requisito primordial no atendimento às indagações dos indivíduos com sede de conhecimento. As bibliotecas híbridas passam a ser propósitos, mesmo com algumas discussões sobre sua nomenclatura e características, e começam a ser debatidas e implementadas como alternativas para a prestação de serviços informacionais, apresentando sua estrutura física, antes lauta em relação às pessoas, agora pequena diante do mundo virtual.
Nessa concepção, a “nova” biblioteca tem a sua frente o desafio de atender os nativos digitais, nascidos sobre uma tela de computador e nos cliques do mouse, e os analfabetos digitais, pessoas que se perderam no tempo com as revoluções tecnológicas. Como atender em uma mesma estrutura, usuários na velocidade de um processador ao mesmo tempo em que se atendem usuários na velocidade de um trem a vapor, satisfazendo ambos? Isso é claro,pensado em uma realidade desejável, onde todos sabem de suas inquietações e desejos de informação.
Continuando, Emir reforça mais uma vez a exclusão no mundo digital mencionando que “o fosso digital [é] definido, de forma simplificada, pela diferença entre os que têm acesso às informações pela internet e aqueles que não têm”, que se relaciona com a situação de desenvolvimento em cada região do nosso país. Este é, nas palavras dele, um desafio para as políticas públicas do Brasil. Traz, logo em seguida, a discussão das redes sociais, canais de comunicação com crescimento espantoso ao longo dos anos, e com participação efetiva da população brasileira. A título de exemplificação, os brasileiros são líderes no ranking de páginas do Orkut.
As redes sociais vêm acompanhadas da possibilidade de participação, fruto da sua estrutura horizontal e flexível que garante o fácil acesso e a garantia da democracia, bem como a liberdade para cada um ser o protagonista de seu ambiente. Obviamente que, nem mesmo em uma estrutura como essa, o acesso é possível a todos. Como menciona Castells (2003), acarreta “inclusive, formas de segregações”.
Da dimensão das redes sociais para a sustentabilidade, parte-se através de uma ponte construída com elementos como a ética, transparência, liderança, competência, criatividade e empreendedorismo, procurando de forma harmoniosa integrar o desenvolvimento hodierno com o cuidado para o futuro, seja com o meio ambiente, seja com as pessoas.
No que concerne à política de informação, é lembrada pelo professor como “o conjunto de princípios e escolhas que definem o que seria desejável e realizável para um país como orientação de seus modos de geração, uso e absorção da informação [...]”, em consonância com as outras políticas, através dos vários procedimentos possíveis para a realização da mesma.
Para encerrar sua exposição, o professor Emir traz uma mensagem que diz: “toda grande inovação, toda grande revolução, traz no seu bojo a questão da exclusão [...]”. De fato, a revolução tecnológica se insere em tal afirmativa.
O que é possível inferir, e ao mesmo tempo sugerir é que, diante de grandes diferenças de acesso, seja no mundo virtual, seja no dia-a-dia das comunidades, os bibliotecários tem a difícil, porém grata, missão de garantir que cada indivíduo se coloque como participante das transformações da sociedade, diminuindo os marginalizados. Isso pode ser tanto no mundo real quanto no mundo virtual. Dois mundos para um mesmo profissional tornar as pessoas competentes.
Vou parando por aqui, pois “competência” será abordada em breve, sobretudo, no que tange à “competência em informação”, amplamente discutida e importante para papel do bibliotecário.
Até a próxima.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
CBBD 2009: 1º diálogo (ou monólogo): Os FRBR
Como mencionado, acredito que falar do Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação (CBBD) que aconteceu em Bonito nesse mês de julho seja algo difícil se for expressar em poucas linhas.
Por isso achei por bem dividir em momentos para considerações sobre o evento. Diante de tantas discussões, fatos, curiosidades e tecnologias aos montes, procurarei expor cada um desses fenômenos que compuseram o CBBD 2009.
Para começar, nada mais natural que seguir os acontecimentos cronologicamente desses dias de evento. Abordando primeiramente o workshop que participei, cuja exposição se deu sobre os FRBR – Functional Requeriments for Bibliographic Records, exposto pela Prof. Eliane Mey (UFSCar). Ótima apresentação daquela que estudei nos bancos da Biblioteconomia do IESF, mas que pouco me aprofundei no debate da representação bibliográfica, e que me exigiu buscar tal compreensão após erros seguidos em concursos públicos.
Voltando aos FRBR, Mey mencionou que o objetivo dos FRBR se constitui na mudança de olhar que se tem sobre a catalogação, onde se buscou compatibilizar os padrões, isso na década de 90. Tendo em vista que a representação bibliográfica para o processo de comunicação pretende individualizar as diferenças e reunir as semelhanças, esse conceito (os FRBR) tende a trazer um debate em que se reafirma efetivamente que o foco está no usuário, e para ele se faz a descrição, e para ele está voltada a preocupação de uma descrição eficiente.
Ao trazer as tarefas do usuário, segundo os FRBR, as quais são listadas como: encontrar, identificar, selecionar e obter, sente-se e percebe-se que a lógica está entre o sujeito e a informação, também ligado a lógica do “entidade/ relacionamento”.
Salve a aula de banco de dados na faculdade. Nessa hora muitos penaram em entender o que a Mey falou, aliás, até ela sentiu dificuldade. Mas como a disseminação da informação é algo maravilhoso, e mais ainda o compartilhamento do conhecimento, a oportuna explicação do Hubner ajudou a clarear as mentes ali presentes.
Não vou me ater às questões das entidades dos FRBR, pois há muito do que se falar, e para resumir um workshop de três horas é preciso cortar algumas especificidades. Caso queira algo mais especifico, deixe um comentário.
Mey trouxe também os FRAD, desdobramentos do FRBR, ou como ela chamou, os “filhotes” dos FRBR. Esse ponto merece ao menos descrever as tarefas do usuário, que são: encontrar, identificar, contextualizar e justificar. Destaco esse último, pois foi uma “tapa” quando ouvi a professora lembrando a questão do “chute” que se faz na hora da descrição bibliográfica. A sensação foi de estar falando diretamente a mim, e é verdade. Justificar uma escolha pode ser a diferença entre o sucesso ou fracasso de uma busca do seu usuário, ou de você mesmo enquanto usuário. Utilizar determinado ponto de acesso simplesmente porque acha que é o correto se torna a ação de perda de informação (e conhecimento) mais prática que se faz em uma unidade de informação.
Mas vamos continuar. A mais o que se falar...
Após tal explanação, partiu-s para os FRSAD, cujas tarefas dos usuários se constituem em: encontrar, identificar, selecionar e explorar (navegar, por que não?!). Nele se tem a perspectiva de três tipos de usuário, aliás, três perspectivas, em que se tem o criador dos bancos de dados, os utilizadores dos mesmos (estamos aqui), e os usuários em geral (estamos aqui também, às vezes).
Ao destacar as entidades do FRSAD, as quais não irei aprofundar no debate, senti que a solução do problema estava justamente em se esquecer essas grandes discussões e voltar a essência, ao começo, ponto de partida da etimologia (ou epstemologia) sobre “sujeito / característica” ou “entidade / relacionamento”. Só a titulo de menção, têm-se como entidades do FRSAD “Thema” e “Nomen”. Isso mesmo, nomenclatura inicial, que não complica nem distorce.
Por fim, chegamos ao RDA – Resource Description and Access, ou Descrição e Acesso do Recurso, cuja missão “Columbus” (ou anglo-saxônica) busca emplacar aquilo que o AACR3 não fez: aperfeiçoar o AACR2. Mey mencionou as pouquíssimas alterações que se tem no RDA, além de destacar a inserção do FRSAD e utilização do vocabulário do FRBR. Trouxe por fim o resultado de tantos debates em torno dessa nova(?) proposta, chamado “Declaração de Princípios”, em substituição aos “Princípios de Paris”.
Diante disso, o que se tem que considerar sobre os FRBR é: pregar e sempre lembrar sua essência. Para quem é tudo isso que faço em minha sala de processamento técnico? Como atender melhor as necessidades dos meus usuários? Como utilizo as novas tecnologias, com foco na recuperação da informação?
Enfim, sair com esses e outros questionamentos é sinal de que o workshop realmente valeu à pena.
Até a próxima discussão...
Por isso achei por bem dividir em momentos para considerações sobre o evento. Diante de tantas discussões, fatos, curiosidades e tecnologias aos montes, procurarei expor cada um desses fenômenos que compuseram o CBBD 2009.
Para começar, nada mais natural que seguir os acontecimentos cronologicamente desses dias de evento. Abordando primeiramente o workshop que participei, cuja exposição se deu sobre os FRBR – Functional Requeriments for Bibliographic Records, exposto pela Prof. Eliane Mey (UFSCar). Ótima apresentação daquela que estudei nos bancos da Biblioteconomia do IESF, mas que pouco me aprofundei no debate da representação bibliográfica, e que me exigiu buscar tal compreensão após erros seguidos em concursos públicos.
Voltando aos FRBR, Mey mencionou que o objetivo dos FRBR se constitui na mudança de olhar que se tem sobre a catalogação, onde se buscou compatibilizar os padrões, isso na década de 90. Tendo em vista que a representação bibliográfica para o processo de comunicação pretende individualizar as diferenças e reunir as semelhanças, esse conceito (os FRBR) tende a trazer um debate em que se reafirma efetivamente que o foco está no usuário, e para ele se faz a descrição, e para ele está voltada a preocupação de uma descrição eficiente.
Ao trazer as tarefas do usuário, segundo os FRBR, as quais são listadas como: encontrar, identificar, selecionar e obter, sente-se e percebe-se que a lógica está entre o sujeito e a informação, também ligado a lógica do “entidade/ relacionamento”.
Salve a aula de banco de dados na faculdade. Nessa hora muitos penaram em entender o que a Mey falou, aliás, até ela sentiu dificuldade. Mas como a disseminação da informação é algo maravilhoso, e mais ainda o compartilhamento do conhecimento, a oportuna explicação do Hubner ajudou a clarear as mentes ali presentes.
Não vou me ater às questões das entidades dos FRBR, pois há muito do que se falar, e para resumir um workshop de três horas é preciso cortar algumas especificidades. Caso queira algo mais especifico, deixe um comentário.
Mey trouxe também os FRAD, desdobramentos do FRBR, ou como ela chamou, os “filhotes” dos FRBR. Esse ponto merece ao menos descrever as tarefas do usuário, que são: encontrar, identificar, contextualizar e justificar. Destaco esse último, pois foi uma “tapa” quando ouvi a professora lembrando a questão do “chute” que se faz na hora da descrição bibliográfica. A sensação foi de estar falando diretamente a mim, e é verdade. Justificar uma escolha pode ser a diferença entre o sucesso ou fracasso de uma busca do seu usuário, ou de você mesmo enquanto usuário. Utilizar determinado ponto de acesso simplesmente porque acha que é o correto se torna a ação de perda de informação (e conhecimento) mais prática que se faz em uma unidade de informação.
Mas vamos continuar. A mais o que se falar...
Após tal explanação, partiu-s para os FRSAD, cujas tarefas dos usuários se constituem em: encontrar, identificar, selecionar e explorar (navegar, por que não?!). Nele se tem a perspectiva de três tipos de usuário, aliás, três perspectivas, em que se tem o criador dos bancos de dados, os utilizadores dos mesmos (estamos aqui), e os usuários em geral (estamos aqui também, às vezes).
Ao destacar as entidades do FRSAD, as quais não irei aprofundar no debate, senti que a solução do problema estava justamente em se esquecer essas grandes discussões e voltar a essência, ao começo, ponto de partida da etimologia (ou epstemologia) sobre “sujeito / característica” ou “entidade / relacionamento”. Só a titulo de menção, têm-se como entidades do FRSAD “Thema” e “Nomen”. Isso mesmo, nomenclatura inicial, que não complica nem distorce.
Por fim, chegamos ao RDA – Resource Description and Access, ou Descrição e Acesso do Recurso, cuja missão “Columbus” (ou anglo-saxônica) busca emplacar aquilo que o AACR3 não fez: aperfeiçoar o AACR2. Mey mencionou as pouquíssimas alterações que se tem no RDA, além de destacar a inserção do FRSAD e utilização do vocabulário do FRBR. Trouxe por fim o resultado de tantos debates em torno dessa nova(?) proposta, chamado “Declaração de Princípios”, em substituição aos “Princípios de Paris”.
Diante disso, o que se tem que considerar sobre os FRBR é: pregar e sempre lembrar sua essência. Para quem é tudo isso que faço em minha sala de processamento técnico? Como atender melhor as necessidades dos meus usuários? Como utilizo as novas tecnologias, com foco na recuperação da informação?
Enfim, sair com esses e outros questionamentos é sinal de que o workshop realmente valeu à pena.
Até a próxima discussão...
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Pós-graduação para bibliotecários: considerações
Anteriormente eu tinha relatado a magnitude de um evento como o CBBD que aconteceu na cidade de Bonito, interior de nosso querido estado de Mato Grosso do Sul.
Pretendo continuar descrevendo o evento, os trabalhos, e tudo mais que se possa explicitar.
Porém, me motivou a dar uma pequena pausa e falar sobre um fato que me deixa feliz e ao mesmo tempo triste.
Tem-se a notícia da pós-graduação latu sensu em gestão da informação e do conhecimento no Instituto de Ensino Superior da Funlec, na cidade de Campo Grande, capital do MS. Vendo a grade, me deixou muito feliz em saber das disciplinas a serem ministradas e os professores que ministrarão as mesmas, alguns inclusive ex-professores meus do tempo de minha graduação em Biblioteconomia.
Felicidade maior ainda foi saber o preço da mensalidade, cujo valor é baixo em relação aos outros cursos de especialização, sem falar que é na área biblioteconômica, coisa rara no estado.
No entanto, o primeiro fato que me deixa triste é saber que não poderei participar dessa especialização, pois as condições de tempo e espaço não me permitem.
Mas o que me deixa mais triste, ou até indignado, é a falta de uma postura proativa por parte da instituição que dará o curso, que tem a chance de alavancar tal especialização, bem como a própria graduação de biblioteconomia. Não consigo ver o motivo de ficarem parados aguardando a vinda de interessados em fazer os cursos.
Se não fosse a divulgação informal de professores e egressos da instituição, possivelmente o curso de biblioteconomia já estaria fechado.
O pior é que, por essa acomodação, a pós-graduação mencionada também corre o risco de fechar, ou melhor, de não abrir.
Uma visão mais empreendedora se mostra a grande carência de uma instituição que tem o trunfo de ter um curso novo, exclusivo na região, altamente qualificado em relação grade curricular, se comparado com outras instituições que possuem o curso de biblioteconomia. Um curso que sobram vagas de estágio, sem falar dos concursos e vagas de trabalho, fatos esses que certamente merece um pouco mais de atenção de sua mantenedora.
O que foi observado no CBBD significa um alerta. Uma instituição que tem tal curso em sua estrutura não participou ativamente apoiando o Congresso Brasileiro da área, realizado em uma das cidades que possui uma unidade sua, é um enorme alarde da falta de empreendedorismo que lhes sobra. Perdeu-se a chance de uma enorme divulgação na região e no Brasil como um todo, e tudo isso por quê? Não irei reponder.
Com a mesma confiança que escolhi esse curso para me qualificar, mantenho minha esperança para que acordem antes que o barco naufrague.
Enquanto isso, vamos avançando em direção à sociedade do conhecimento (cadê???)
Pretendo continuar descrevendo o evento, os trabalhos, e tudo mais que se possa explicitar.
Porém, me motivou a dar uma pequena pausa e falar sobre um fato que me deixa feliz e ao mesmo tempo triste.
Tem-se a notícia da pós-graduação latu sensu em gestão da informação e do conhecimento no Instituto de Ensino Superior da Funlec, na cidade de Campo Grande, capital do MS. Vendo a grade, me deixou muito feliz em saber das disciplinas a serem ministradas e os professores que ministrarão as mesmas, alguns inclusive ex-professores meus do tempo de minha graduação em Biblioteconomia.
Felicidade maior ainda foi saber o preço da mensalidade, cujo valor é baixo em relação aos outros cursos de especialização, sem falar que é na área biblioteconômica, coisa rara no estado.
No entanto, o primeiro fato que me deixa triste é saber que não poderei participar dessa especialização, pois as condições de tempo e espaço não me permitem.
Mas o que me deixa mais triste, ou até indignado, é a falta de uma postura proativa por parte da instituição que dará o curso, que tem a chance de alavancar tal especialização, bem como a própria graduação de biblioteconomia. Não consigo ver o motivo de ficarem parados aguardando a vinda de interessados em fazer os cursos.
Se não fosse a divulgação informal de professores e egressos da instituição, possivelmente o curso de biblioteconomia já estaria fechado.
O pior é que, por essa acomodação, a pós-graduação mencionada também corre o risco de fechar, ou melhor, de não abrir.
Uma visão mais empreendedora se mostra a grande carência de uma instituição que tem o trunfo de ter um curso novo, exclusivo na região, altamente qualificado em relação grade curricular, se comparado com outras instituições que possuem o curso de biblioteconomia. Um curso que sobram vagas de estágio, sem falar dos concursos e vagas de trabalho, fatos esses que certamente merece um pouco mais de atenção de sua mantenedora.
O que foi observado no CBBD significa um alerta. Uma instituição que tem tal curso em sua estrutura não participou ativamente apoiando o Congresso Brasileiro da área, realizado em uma das cidades que possui uma unidade sua, é um enorme alarde da falta de empreendedorismo que lhes sobra. Perdeu-se a chance de uma enorme divulgação na região e no Brasil como um todo, e tudo isso por quê? Não irei reponder.
Com a mesma confiança que escolhi esse curso para me qualificar, mantenho minha esperança para que acordem antes que o barco naufrague.
Enquanto isso, vamos avançando em direção à sociedade do conhecimento (cadê???)
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